
TV: Sensacionalismo e Política nos programas do meio dia
por:. Antonio Mateus de Carvalho Soares
[Artigo publicado no Jornal A tarde, fevereiro de 2008]
É lamentável as estratégias utilizadas para elevar a audiência nos programas jornalísticos da TV baiana, assuntos de grande relevância social são transmitidos de forma sarcástica e com apresentadores caricatos que vulgarizam o papel informativo dos tele-jornais e utilizam o sensacionalismo da miséria como foco da elevação da audiência, quando não distribuem prêmios em dinheiro, apresentam pessoas em situação de enfermidade e de múltiplas carências em uma total invasão “consentida” da vida intima, que capturam os telespectadores, sobretudo àqueles de menor grau de instrução, e os tornam cativos e defensores destes programas. A lógica de persuasão adotada por estes apresentadores é carismática e populista, os figurando como legítimos “pai dos pobres”.O discurso que legitima estes programas como agentes defensores da voz do povo é muito próximo do discurso da gestão da pobreza, que em sua essência não objetiva eliminá-la, mas gerencia a exclusão social através de dispositivos ideológicos que capturam a população carente e manipula seus desejos e escolhas. Durante o nazismo na Alemanha, Hitler utilizava técnicas de manipulação social, do tipo: “querem pão, não peçam a Deus, peçam a Hitler! Ao pedir a população recebia uma chuva de pães”, com está técnica disciplinadora, ele conseguia um exército de discípulos, que legitimaram o holocausto. A sofisticação de técnicas persuasivas similares, há algum tempo é praticada no tele-jornalismo baiano, e nos últimos meses vem exercendo força implacável, sobretudo em alguns jornais diários do meio dia. Que na luta desenfreada pela audiência, utiliza de forma humorística e ao mesmo tempo brutalizadora a estetização da condição social do pobre, que é focalizado como protagonista dos noticiários jornalísticos.O que nos espanta é a capacidade que esta programação possui em invadir milhares de residências diariamente e de manterem os picos de audiência durante meses consecutivos, com a mesma técnica e com o mesmo discurso. Seria um empobrecimento cultural dos telespectadores, que permitem a manipulação? Uma nova tendência contemporânea para o tele-jornalismo? Independente da resposta é crucial estarmos cientes que esta programação não possui a alteração da realidade social como meta, mas sim a elevação da audiência de sua emissora e a projeção de seus apresentadores em potenciais políticos “salvadores da pátria”. Estamos em ano de eleição municipal e o conteúdo destes programas já focalizam sublinearmente os candidatos que apóiam. Quando o próprio apresentador não se insinua candidato, o que pagar mais ganhará o apoio do programa. Tal situação gera medo e insegurança para àqueles que esperam alterações políticas, com as eleições de 2008, pois o poder de captura desta programação ideológica é perigoso.
Antonio Mateus de Carvalho SoaresMestre em Teoria e História USP, Sociólogo e professor universitárioE-mail:. amateus@ufba.br
por:. Antonio Mateus de Carvalho Soares
[Artigo publicado no Jornal A tarde, fevereiro de 2008]
É lamentável as estratégias utilizadas para elevar a audiência nos programas jornalísticos da TV baiana, assuntos de grande relevância social são transmitidos de forma sarcástica e com apresentadores caricatos que vulgarizam o papel informativo dos tele-jornais e utilizam o sensacionalismo da miséria como foco da elevação da audiência, quando não distribuem prêmios em dinheiro, apresentam pessoas em situação de enfermidade e de múltiplas carências em uma total invasão “consentida” da vida intima, que capturam os telespectadores, sobretudo àqueles de menor grau de instrução, e os tornam cativos e defensores destes programas. A lógica de persuasão adotada por estes apresentadores é carismática e populista, os figurando como legítimos “pai dos pobres”.O discurso que legitima estes programas como agentes defensores da voz do povo é muito próximo do discurso da gestão da pobreza, que em sua essência não objetiva eliminá-la, mas gerencia a exclusão social através de dispositivos ideológicos que capturam a população carente e manipula seus desejos e escolhas. Durante o nazismo na Alemanha, Hitler utilizava técnicas de manipulação social, do tipo: “querem pão, não peçam a Deus, peçam a Hitler! Ao pedir a população recebia uma chuva de pães”, com está técnica disciplinadora, ele conseguia um exército de discípulos, que legitimaram o holocausto. A sofisticação de técnicas persuasivas similares, há algum tempo é praticada no tele-jornalismo baiano, e nos últimos meses vem exercendo força implacável, sobretudo em alguns jornais diários do meio dia. Que na luta desenfreada pela audiência, utiliza de forma humorística e ao mesmo tempo brutalizadora a estetização da condição social do pobre, que é focalizado como protagonista dos noticiários jornalísticos.O que nos espanta é a capacidade que esta programação possui em invadir milhares de residências diariamente e de manterem os picos de audiência durante meses consecutivos, com a mesma técnica e com o mesmo discurso. Seria um empobrecimento cultural dos telespectadores, que permitem a manipulação? Uma nova tendência contemporânea para o tele-jornalismo? Independente da resposta é crucial estarmos cientes que esta programação não possui a alteração da realidade social como meta, mas sim a elevação da audiência de sua emissora e a projeção de seus apresentadores em potenciais políticos “salvadores da pátria”. Estamos em ano de eleição municipal e o conteúdo destes programas já focalizam sublinearmente os candidatos que apóiam. Quando o próprio apresentador não se insinua candidato, o que pagar mais ganhará o apoio do programa. Tal situação gera medo e insegurança para àqueles que esperam alterações políticas, com as eleições de 2008, pois o poder de captura desta programação ideológica é perigoso.
Antonio Mateus de Carvalho SoaresMestre em Teoria e História USP, Sociólogo e professor universitárioE-mail:. amateus@ufba.br

2 comentários:
vc tá gatão bobnelson! PÁ!!!
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