sábado, 3 de maio de 2008

Grupo de extermínio e violência em Salvador-BA

Grupo de extermínio e violência

Notas sobre matéria Correio da Bahia (capa) 05/03/2008
Texto: Antonio Mateus de Carvalho Soares

Excepcional e ao mesmo tempo aterrorizante a reportagem do Correio da Bahia, 02/03/2008, em relação aos grupos de extermínio e a juventude negra. Realmente, no Brasil, são os jovens que mais morrem e matam. Para se ter uma idéia, a última pesquisa da Unesco afirma que entre 1996 e 2006, os homicídios entre a faixa de 15 a 29 anos passaram de 13.186 para 17.312, um número elevadíssimo.Salvador ocupa a 4ª posição nacional em número de homicídios envolvendo jovens negros, situação que demonstra uma total falência da segurança pública e de políticas focalizadas para estes jovens, sobretudo aqueles que residem nos bairros periféricos e esquecidos pelo poder público, a exemplo dos bairros do subúrbio ferroviário, e outros como São Cristóvão, Mata Escura e Nordeste de Amaralina, que, mesmo se localizando em diferentes áreas geográficas da cidade, possuem taxas similares de criminalidade.O perfil de potenciais jovens violentados – negro, pobre e com baixa escolaridade, como evidencia a reportagem –, parece determinista, mas, infelizmente, é realístico, pois este é o perfil da vulnerabilidade juvenil em Salvador.Neste contexto, é importante que o estado e a Secretaria de Segurança Pública saiam da inoperância e reorientem suas estratégias de combate à violência contra a juventude. A lógica do “vigiar e punir” – câmera, armamento pesado e catras – não têm efeito imediato, nem em longo prazo.É necessária uma política de prevenção contínua, simultânea a programas de geração de renda que privilegiem a inserção desses jovens, sobretudo os negros, no mercado de trabalho. Também é imprescindível o empoderamento e a legitimação da instituição escolar: a escola como um ambiente atrativo de humanização e promotor de diálogos que contemplem os direitos humanos, possibilitando novas alternativas de existência social para estes jovens em situação de risco.


Antonio Mateus de Carvalho Soares
Sociólogo
Salvador – BA

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