Violência nas Cidades Brasileiraspor:. Antonio Mateus de Carvalho Soares
informes:.http://lattes.cnpq.br/5592333054837843
ver site pessoal:. http://www.contatosociologico.crh.ufba.br/
A relação entre pobreza e violência merece um cuidado analítico[1], não é simplesmente uma relação de causa e efeito, não é imediata, se configurando em uma constelação de variáveis que se inter cruzam e se explicitam em um dado momento. A precipitação na análise pode fortalecer o estigma e o sensacionalismo de informações, que imbricam as duas situações em uma chave reflexiva imprópria. Estamos certos que há uma relação entre pobreza e violência, mas ela não existe isoladamente, e, em nenhum momento as duas situações podem ser consideradas como sinônimas.É bem verdade que os maiores índices de criminalidade nas cidades brasileiras se concentram nas periferias e subúrbios, onde se amontoam os maiores contingentes de pobres e desempregados. É também nestes espaços, consideradas como “espaços de exceção”, que as pessoas são mais vulnerabilizadas socialmente pela precarização urbana, exclusão social e falta de acesso à educação, à saúde, ao lazer e ao emprego digno. Embora, as maiores disposições de atos e ações violentas estejam circunscritas nestes espaços urbanos, ainda assim é ilegítima uma associação isolada entre pobreza e violência.Neste cenário precarizado pela ausência do poder estatal vidas são fragilizadas, e o “lugar pobre” ou “lugar da pobreza” guardam assim as variáveis necessárias para o investimento à transgressão, sendo considerados espaços por excelência da ilegalidade e da clandestinidade, lugares de maior acometimento à violência e ao crime[2] que invadem a cidade moderna. Em um esquema de complexo análise, a população destes “lugares de pobreza”, são investidas em uma perversa lógica de adversidades, monitorizada pelo capital, que separa, que exclui e que prende estes moradores em um paradoxo pólo: de potenciais praticantes ou de vítimas do crime.[1] Cf. (TELLES, 2006) [...] todo cuidado é pouco quando de trata de lidar com as proximidades da pobreza e violência, sobretudo nesses tempos em que a nossa velha e persistente, nunca superada, criminalização da pobreza vem sendo reatualizada sob formas renovadas, algumas sutis, outras nem tanto, na maior parte dos casos, aberta e declarada.[2] Cf. (SOARES, A. M. de C., p. 123, 2004) Nas primeiras acepções sobre violência e crime é importante evidenciar que existe uma linha tênue entre crime e violência, todo crime é uma violência, mas nem toda violência é um crime.

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